Elos da Infância

QUAL É O LUGAR DO PAI NA VIDA DO SEU FILHO?

MESSIAS, Rosilene F.R.

Pronto, chegou a notícia vou ser pai, e agora?

Ser pai é muito mais que uma questão sanguínea e/ou biológica, é uma questão de amor, limite e doação.

Sem dúvida a paternidade tem um papel importante em suas demandas intransferível, como afirmam as pesquisas científicas atuais.

A figura de um pai é modelo diferente da maternidade e por assim ser contribui para a formação social da criança.

Observa-se que em um primeiro momento da criança precisa muito da mãe, mais cabe ao pai proteger ambas (a mãe e a criança) inclusive das excessivas ações da mãe devido à simbiose que ocorre entre ela e o seu bebê, portanto é o pai que estabelece o limite (o castrador) para essa “simbiose”.

“…relatam que a função paterna é fundamental para o desenvolvimento do bebê. Segundo os autores, tal função é dinâmica, já que o pai representa um sustentáculo afetivo para a mãe interagir com seu bebê e também, ainda nos primeiros anos da criança, deve funcionar como um fator de divisão da relação simbiótica mãe-bebê.” Benczik,2011.

É preciso saber que o pai tem função de apresentar o mundo para a criança para a boa elaboração dos seus parâmetros sociais, sendo um crescimento para a criança que terá outros modelos.

“É reconhecido como importante o papel do pai no desenvolvimento da criança e a interação entre pai e filho é um dos fatores decisivos para o desenvolvimento cognitivo e social, facilitando a capacidade de aprendizagem e a integração da criança na comunidade…” Benczik,2011.

Cabe ao pai estabelecer a regra e os combinados conforme a criança vai crescendo, ou seja, ‘a castração da criança” colocando limites em suas ações. E ainda, fortalecer o equilíbrio entre as emoções da mãe, do bebê para que este último possa se sentir acolhido afetiva e racionalmente pelos dois.

“…o lugar do pai, entre seis e doze meses, não é tão destacado na literatura, como acontece com a figura materna, no entanto, o contato corporal entre o bebê e o pai, no cotidiano, é referência na organização psíquica da criança, devido à sua função estruturante para o desenvolvimento do ego. No segundo ano de vida, já existe a imagem de pai e de mãe, e a figura paterna fica mais acentuada e tem a função de apoiar o desenvolvimento social da criança, auxiliando-a nas dificuldades peculiares a este período e no desprendimento necessário da criança aos costumes da situação familiar, mantidos pela mãe…” Benczik,2011

O “olhar” do pai é diferente do “olhar” da mãe. O do pai tende a ser mais racional e da mãe mais afetivo, sendo os dois cruciais enquanto parceiros para o bom desenvolvimento da criança. Por isso é importante que os pais tenham diálogos e combinados entre si para falarem a mesma linguagem com o filho a fim de norteá-lo, caso contrário, teremos uma criança com dificuldades em cumprir regras e combinados e posteriormente sem limites na vida.

Tendo o pai proporções diferenciadas dos acontecimentos com a criança do que a mãe (a final a mulher durante a gestação regride em seus sentimentos e emoções para melhor entender o bebê tendo reações como: sonolência, choros, irritações, etc.) este deve se fazer presente nos cuidados com a casa e com a criança durante todo o tempo. O homem tem a responsabilidade de trocar, alimentar e cuidar do bebê e da casa, tanto quanto a mulher.

A figura paterna é referência para os filhos e por isso ele precisa estar presente na vida do mesmo como o grande orientador e inspirador, mesmo que o filho não seja biológico. O pai necessita criar em seus filhos memórias afetivas por meio das brincadeiras e outras experiências positivas.

“…um dos maiores problemas na educação dos filhos é a ausência do pai ou de uma figura que o substitua. Vale ressaltar aqui que a figura paterna pode ser representada por um tio, um avô ou outro adulto do sexo masculino que participe da vida da criança e que tenha um vínculo satisfatório com ela. A educação, para ser equilibrada, necessita dos dois progenitores. A presença paterna na família é diferente e complementar à materna. A falta de um modelo na educação, masculino ou feminino, implica quase sempre um desequilíbrio naquele que é educado (no filho).” Benczik,2011.

Como podemos ver a figura paterna é de grande importância para o desenvolvimento infantil, a paternidade é mais que gerar um filho e/ou deixar a ele um legado. É colo que acolhe, é se fazer presente, é limite posto, é educar para a vida em sociedade e para a “vida além da vida”.

Referência:

BENCZIK, Edyleine B. P. A importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil. Rev. psicopedag. vol.28 no.85 São Paulo  2011

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