MESSIAS, Rosilene F. Rocioli
A família tem um papel fundamental na construção de uma sociedade equilibrada, sustentável e justa. E neste contexto surge o pai como aquele que coloca limite ao mesmo tempo que acolhe, auxilia e brinca.
A figura do pai é de suma importância para a criança na primeira infância e logo após na adolescência. Na infância o seu primeiro papel é ser e se valer do racional para equilibrar as emoções que a maternidade impõem a mulher frente ao bebê, trazendo o limite a fim de eliminar os excessos de proteção, cuidados e outras demandas realizadas pela mãe.
Mas como um homem, agora pai, pode colocar limite em seu filho se ele não tem parâmetros do que são limites e regras e não quer se recorrer a sua educação quando filho, pois a visão e as lembranças que tem são de pais imaturos, ausentes, agressivos, desequilibrados, etc. E ainda, pesquisador de verdades em mídias sociais que bombardeiam a venda de uma “família sempre feliz” onde o pai tem um papel de “coleguinha” de seus filhos, e por assim ser, julga que tem que ser “legal e bonzinho” o tempo todo, não tendo claro o compromisso em estabelecer disciplina ao filho, valendo-se do discurso de não querer que ele deixe de amá-lo e/ou deixe de ser seu amigo hoje, ou no futuro. Além disso, estabelecer limite dá muito trabalho e precisa de muita disponibilidade, paciência, negociação, conversa e firmeza.
Que doce ilusão, esse discurso é a forma mais fácil de um filho compreender que seu pai nunca foi seu pai, pois se comportava como um amigo e a figura paterna lhe faltará e por assim ser terá problemas com autoridade de toda ordem.
Afinal, o que é ser pai? Uma pergunta a qual a resposta vale uma vida…
Então vamos refletir…
Tornar-se pai biológico não é algo difícil se houver todas as condições naturais, científicas e financeiras favoráveis para esse novo projeto de vida. E ainda assim, a vida sempre surpreende, pois, mesmo quando não há quaisquer condições, o milagre da vida se faz. No entanto, ser pai é diferente, é assumir de forma livre, decidida e firme o propósito de atuar como baluarte da família; essa transição é muito importante para o jovem pai, que precisa, consigo mesmo, refletir sobre a importância de sua presença na vida de seus filhos em especial. Uma vez compreendido seu papel, zelará por sua imagem, pois ela é a referência a ser observada e seguida e, mesmo em momentos de descontração é preciso manter-se comedido. Sim, o pai tem que estar atento para expor-se menos, quando gostaria de o fazê-lo mais, acariciar sútil e brevemente, demonstrar afeto mais em gestos afirmativos que declarados.
O pai, com a sua razão, sempre estará nas reservas dos sentimentos, das demonstrações afetivas, das emoções, principalmente; pode parecer duro, mas é necessário o pai se manter firme, não rígido, mas contido, equilibrado para poder atuar bem nos momentos felizes e tristes da vida, para+* poder confortar a todos e reerguê-los, pois, se o “pilar” for abalado, os danos familiares serão ainda maiores. A dedicação é prioritária aos filhos durante a criação, pois é o momento de se construir os princípios norteadores da vida adulta, e do sacrifício de sonhos pessoais em prol dos pequenos, o pai vive pela sua família, é o primeiro a chegar e o último a sair; uma vez pai, pai para sempre, mesmos idoso e já prestes a entregar sua vida, ainda perguntará por seus “meninos e meninas”, que, às vezes já são avós, se estão bem, se já comeram, se estão tendo cuidado com o “sereno”. Ser pai é viver com paixão o ardor do amor, ou seja, a mais difícil e maravilhosa tarefa; assim parafraseando São Paulo e Luis Vaz de Camões: “[…] é cuidar que se ganha em se perder, é um estar-se preso por vontade, é estar acordado enquanto todos dormem […]”.




